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Matérias

O MUNDO PRECISA SE PREPARAR PARA O ENVELHECIMENTO, ALERTA ONU

Relatório da ONU indica que em 2050 haverá mais indivíduos acima de 60 anos do que abaixo de 15 anos no mundo. Cerca de 80% dos idosos viverão nos países em desenvolvimento, sendo que 65% desses viverão na pobreza e sofrendo algum tipo de violência, seja física, psíquica ou de abandono. Seria incumbência dos governos investir na população mais velha, mas sabemos da dificuldade política de alguns países para que isso aconteça.

O número de idosos mundo afora cresce mais rápido do que qualquer outra faixa etária, anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU). Governos precisam planejar como lidar com o envelhecimento, alertou um relatório divulgado no Dia Internacional do Idoso.

Hoje, uma a cada nove pessoas no mundo tem mais de              60 anos, somando 810 milhões de idosos. Em dez anos, esse número passará de um bilhão, informou o estudo: “Envelhecimento no Século XXI”: uma celebração e um desafio, elaborado pelo Fundo Populacional da ONU (UNFPA) e pela ONG HelpAge International.

VOCÊ CONHECE A SITUAÇÃO DO IDOSO NO BRASIL?

A PIRÂMIDE ETÁRIA DO BRASIL MUDOU.

Não somos mais um país tão jovem como antes. Pessoas com mais de 50 anos representavam há 25 anos, 11% da população. Agora são 16% e a tendência é crescer.**

O Brasil está na lista dos 10 países com maior população idosa do mundo .* Com idade avançada doentes e sem aposentadoria, os idosos não encontram condições de trabalho, são abandonados pelas próprias famílias e até “esquecidas” nas vias públicas, hospitais e casas de acolhimento.

BRASIL, UM PAÍS DE IDOSOS

População brasileira com mais de 70 anos já é de 7,7 milhões e pode chegar a 34,3 milhões em 2050.* Há 25 anos a expectativa de vida do Brasileiro era de 63 anos. HOJE É DE 70 ANOS.**

** Fonte Nielsen – Estudo de Mudanças no Mercado Brasileiro 2006  - * Fonte IBGE


I LOVE CHARITY

Você conhece alguém que doou pro Criança Esperança?

Quantas coisas repetimos porque nos são ditas por pessoas que confiamos? O assunto doações é cheio de lendas. Escutamos diariamente mentiras, gerando desconfiança. Eu conheço muitas pessoas que doam pro Criança Esperança, Teleton, Greenpeace, Graac, Médicos sem Fronteiras… Aliás, essas pessoas são bem especiais. Já as que não doam tem uma tendência forte a acreditar em teorias conspiratórias. Você achou que eu iria falar sobre uma dessas teorias? Errou de artigo. Está interessado em entender como funciona a cabeça de quem doa? Siga em frente.

O objetivo deste artigo é espancar essas informações distorcidas até que estas se adequem à realidade. Que os mitos sejam destruídos um a um, como os doze trabalhos de Hércules. Uma aventura épica em algumas linhas. Mas que sabemos que não interferirá nada ou quase nada no cotidiano da população. Na prática, os que doam continuarão doando, e os que não doam continuarão não doando. Humildemente, fiquemos com a esperança que em uma provável pesquisa do google, este singelo artigo apareça na primeira página um dia, e que ao linkarem nele, o curioso leia isto aqui, explicando convincentemente o que segue. São 6 as máximas que vale a pena compreender:

Quem mais doa é o pobre. E isso não é só aqui. É em todo o mundo. A somatória das doações dos pobres e da classe média em qualquer país pesquisado é várias vezes superiores à soma das classes A e B. Os ricos doam mais dinheiro, mas são em muito menor quantidade, poucos entre eles doam, e sem nenhuma regularidade. Já os pobres doam pequenas quantidades, mas constantemente. O motivo de porque os pobres doam mais? Eles são solidários com a realidade ao seu redor. Muitos são ex-necessitados, ou tem ainda necessitados em suas famílias ou vizinhança. Sabem que suas contribuições podem sim ajudar alguém a sair do poço. Não é vergonhoso saber que gente que tem menos grana do que você doa dinheiro para os ainda mais necessitados? E o mais interessante ainda: todo doador tem uma felicidade só dele. Que tal experimentar essa felicidade só sua?

Doar não tem nada a ver com incentivo fiscal. Quem acha que as pessoas não doam em função da falta de incentivos fiscais é porque não leu a verdade acima. Incentivos são bons? Claro que sim. Ajudam na decisão final? Sim, ajudam. Inviabilizam uma doação que seria feita? Não. As experiências no Brasil mostram que não chegam a 40 mil os doadores pessoas físicas que usam incentivos fiscais, sendo que somos 35 milhões de doadores sem nenhum incentivo. Outros alegam que os americanos doam porque há incentivos. O dado objetivo: os americanos doam 300 bilhões de dólares. O recurso que se incentiva não chega a um décimo disso. Então deixemos de reforçar a mentira de que não se doa porque faltam incentivos. Não se doa por que… leia o próximo item.

Não se doa porque não nos pedem. Acredita? Não é incrível? Esses 35 milhões de brasileiros doam principalmente para igrejas e pedintes e não para ONGs. Algum desavisado pode dizer que o brasileiro prefere doar para igrejas e pedintes, quando na verdade o que ocorre é que são as igrejas e pedintes que pedem. Simples não? Não temos números aproximados de quanto as pessoas doam. Acredita-se que seja algo em torno de 5 bilhões de reais por ano. Se as organizações existentes passassem a solicitar mais recursos de indivíduos, poderíamos tranquilamente dobrar esses bilhões de doações em cinco anos. Aliás, é o que estamos propondo, em fóruns específicos de ONGs. Dobrar o número de doações e de doadores em cinco anos. Nada muito complicado. Muito mais difícil é tentar dobrar os 2,5 bilhões feitos por Institutos Empresariais. Não há muito mais para crescer nas verbas de patrocínios e doações das empresas e suas fundações. Já em relação aos indivíduos, somos quase 200 milhões de brasileiros. Imagine que em 5 anos podemos ser 70 milhões de doadores. É só dobrar a aposta. Quem doa 10 reais, passar a doar 20. Quem tem um doador em casa, convencer mais outro. E assim se chegará facilmente a 10 bilhões de reais em doações de indivíduos por ano. 4 vezes mais do que o empresariado investe. Interessante.

Quem não doa desconfia. Quem doa confia. Muitos alegam que não doam porque as ONGs não são confiáveis. Quem diz isso na verdade não pretendia doar mesmo. Encontrou uma boa desculpa para não doar. Existem mil desculpas para a pessoa não doar. Essa é uma delas. Há ONGs picaretas? Sim, várias. Mas há um número muito maior de ONGs sérias. E principalmente há ONGs muito próximas de você, pra você ir a pé, conhecer, olho no olho, apoiar um pouquinho, criar relação. Esses que gritam aos 4 ventos que as ONGs não são confiáveis estão fazendo um enorme desserviço. São do tipo quanto pior melhor. Colocam no mesmo balaio a ONG corrupta que recebe dinheiro do governo com aquela creche do bairro que faz rifa pra fechar as contas. Há mecanismos para aos poucos irmos separando o joio do trigo. Certificados, prêmios e reconhecimentos. Mas nada é melhor do que achar a ONG que é a sua cara, a causa que te faz ir lá visitar a sede. Conheça, confie e doe.

Doar fortalece a democracia e a diversidade. Doar é uma atividade que nos fortalece como cidadãos. Não se trata de esmola, nem de substituir o estado ou o mercado. Não se doa porque há benefícios em troca. A gente doa nosso dinheiro, nosso tempo voluntário, nosso coração e nossa mente porque esta é a forma de contribuir por algo que a gente acredita. Doar não tem nada de nobre, nem deve ser. As pessoas doam porque acreditam que aquela causa precisa de apoio e legitimação. Doar deve se transformar num hábito comum, corriqueiro, parte do nosso cotidiano como cidadão. Doar é cidadania ativada. Eu sei meus direitos e deveres e além disso explico pro mundo quais são as causas que eu acredito, defendo e apoio. E doar não envolve a briga do que é melhor. Eu doo para uma ONG que defende o mico leão e você doa para entidades que cuidam de crianças com câncer. E somos amigos. Não é fla-flu. Não competimos.

Doar é cool. Dizer na faculdade que você foi doar sangue de manhã vai fazer umas meninas olharem pra você com outros olhos. Ou você, que comenta com os colegas de trabalho, como quem não quer nada, que no sábado passado participou de um mutirão pra pintar os muros da praça. As pessoas de olham com outros olhos quando você comenta essas coisas, quando aparecem fotos suas no facebook distribuindo roupas. Isso define o que é que estamos mesmo fazendo neste mundo. Você que lê este artigo, assim que doar 20 reais por uma plataforma online, compartilhe no facebook para seus amigos. Doar é pra ser dito, não pra que nos achemos superiores ou nobres, mas pra que isso gere uma onda. Estamos marola, seremos tsunami.

E então? Conhece alguém que doou pro Criança Esperança? Ou pro Teleton? Ou pro Greenpeace? Pergunta pra essa pessoa porque ele fez isso. Você vai se surpreender com a resposta.

Marcelo Estraviz, fundador e ex-presidente da ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos, e presidente do Instituto Doar.

 

Fonte original: http://www.estraviz.com.br/index.php/2014/09/i-love-charity/